Qual é o estilo do Sleep Token? O debate que divide o mundo do metal

Desde que o Sleep Token explodiu no mainstream, uma pergunta ecoa em fóruns, comentários e rodadas de amigos: Que gênero de música essa banda toca? O coletivo anônimo, liderado por Vessel, desafia a classificação tradicional a cada lançamento, transformando a tentativa de rotulá-los em um dos debates mais acalorados da internet.

São metal? Rock? Pop com breakdowns? A resposta é complexa — e é justamente essa complexidade que os torna um fenômeno tão discutido.

Estilo do Sleep Token

A encruzilhada gênero-fluida

Oficialmente, o Sleep Token costuma ser classificado como Metal Progressivo, Metal Alternativo, ou até Post-Metal. No entanto, basta ouvir músicas como “The Summoning”, “Granite”, ou “Take Me Back To Eden” para perceber que esses rótulos mal arranham a superfície.

A banda se destaca por ser gênero-fluida, misturando elementos que, à primeira vista, parecem irreconciliáveis:

  • Metal/Rock: Os riffs pesados, as passagens djent (como em “The Summoning” ou “Vore”), os breakdowns e os vocais guturais esporádicos. É inegável que o lado pesado está presente e é crucial para o DNA da banda.
  • Pop/R&B: O vocal limpo e melodioso de Vessel, frequentemente comparado a artistas do R&B contemporâneo ou do pop, é uma marca registrada. Canções como “Euclid” ou “Telomeres” são construídas sobre melodias de piano e estruturas que remetem diretamente ao pop.
  • Progressivo/Alternativo/Ambiental: As composições são longas, emocionais e estruturalmente não-convencionais, utilizando introduções atmosféricas, pianos lentos e até influências de gospel ou música eletrônica.

Alguns fãs e críticos, exaustos pela impossibilidade de encaixe, adotaram a solução mais simples: o gênero é Sleep Token. Mas é o uso descarado e elegante de estilos fora do “cânone metal” — como o R&B e o Trap — que realmente polariza a comunidade.

Estilo do Sleep Token
Vessel vocalista do Sleep Token. Foto retirada deste link.

A rejeição da “velha guarda” do metal

É aqui que a discussão ganha um tom mais pesado. Para muitos fãs do metal “tradicional”, a música do Sleep Token simplesmente não é metal de verdade. O argumento central é que a banda dilui o peso com excesso de trechos lentos e melódicos, com foco em vocais pop e letras sobre amor e relações (o que é visto como “soft” demais).

O metal, historicamente, valoriza a pureza e a intensidade do gênero. Quando o Sleep Token insere uma balada guiada por piano no meio de um álbum de “metal”, ou utiliza batidas que lembram Trap e R&B em faixas como “Granite”, isso ofende os puristas. Para eles, o som da banda é:

  • Muito Pop: O foco na melodia vocal e na produção “polida” o aproxima demais do mainstream que eles procuram evitar.
  • Insuficientemente Pesado: Os riffs e breakdowns são vistos como interrupções breves em um mar de música mais calma, focada no piano.

A popularidade da banda entre um público que não é exclusivamente metal (incluindo muitas mulheres, um ponto levantado em alguns debates online), somada à sua sonoridade “híbrida” e melódica, faz com que uma parcela da comunidade metal os veja com desdém, classificando-os de “metalcore pop” ou um “Imagine Dragons do metal”.

O vídeo que tenta desvendar o mistério

A confusão de gêneros é tão palpável que gerou inúmeros debates em canais especializados no YouTube. Um bom exemplo de como essa discussão se desenrola no cenário internacional é o vídeo “What Genre Is Sleep Token REALLY?”, onde as pessoas tentam encaixar a banda em rótulos como “Ambient Pop Metal” ou “Avant-garde Metal”. O próprio Vessel já teria dito para não se prenderem aos gêneros e apenas curtirem a música, mas, como o vídeo aponta, o debate é um sinal da relevância e da singularidade da banda.

Conclusão: “post-gênero” ou apenas “metal progressivo moderno”?

Se formos forçar um rótulo técnico, Metal Progressivo ainda é o termo mais adequado, já que a característica Progressiva do gênero permite a fusão de estilos (como Dream Theater e Fates Warning fizeram nos anos 80, misturando rock progressivo com metal).

No entanto, o Sleep Token talvez represente algo novo: uma banda de “Música Pós-Gênero” que utiliza a intensidade do metal como um recurso dramático, não como uma regra a ser seguida. Eles são, inegavelmente, um dos nomes mais inovadores da música pesada atual, precisamente por não se contentarem com as fronteiras do rock e do metal.

Confira: As melhores músicas do Sleep Token

Para o ouvinte, o rótulo é secundário. Para a história, a banda está provando que, no cenário moderno, a originalidade transcende a necessidade de pertencer a uma “caixa” de gênero.

O influenciador e músico Fred Buzetti fez um vídeo interessante falando sobre o gênero “rock de putífero” que eu achei muito engraçado e que é um estilo que se encaixa muito com o som do Sleep Token principalmente em músicas como Provider, Sugar, Chockehold, Give… Aquelas músicas que você poderia facilmente utilizar em CERRRTOS momentos 😛

E você, em qual gênero você encaixaria o Sleep Token? Ou será que o futuro da música pesada é simplesmente abraçar o “pós-gênero”?

Um comentário

  1. […] Seu som é uma fusão complexa e fluida de gêneros, que transita entre o metal progressivo, djent, post-rock, R&B e pop, criando uma experiência sonora única e emocional. Essa abordagem inovadora tem sido elogiada por fãs e críticos, e até mesmo por ícones do metal como Corey Taylor do Slipknot. […]

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